Digitalks 2018: confira o que rolou no evento

Digitalks 2018: confira o que rolou no evento

640 480 Squid - Plataforma de marketing de influência

Neste ano participamos pela segunda vez consecutiva do Expo Fórum Digitalks, o principal evento de negócios digitais do Brasil. Dividimos o espaço com diversas empresas e acompanhamos algumas conversas que aconteceram durante os dois dias de encontro.

O Digitalks é aquele formato de evento em que muitas coisas acontecem ao mesmo tempo. Muito conhecimento, muito conteúdo, muita informação, muitas pessoas e palestras. Acompanhamos alguns debates e compartilhamos aqui os pontos que achamos mais interessantes.

Zeitgeist 2018: o impacto da tecnologia na vida das pessoas segundo os pensadores contemporâneos – (Ari Meneguini)

O painel buscou explorar o impacto da tecnologia na vida das pessoas sob a ótica das transformações sociais e quebras de paradigmas de sociedade. Com diversos dados sobre como os comportamentos mudaram, o palestrante Ari Meneguini, que é historiador certificado pela USP, explicou que o Zeitgeist é como o “espírito do tempo”, sendo um conjunto de disposições intelectuais e culturais de uma época, paradigmas que orientam a mentalidade da sociedade num período específico.

As mudanças sociais as quais vivemos nas últimas décadas do século XX e a entrada no século XXI impactaram tanto positivamente quanto negativamente nosso convívio social. Atualmente, as gerações mais novas, como a Y e a Z, buscam avidamente por propósito e têm de lidar com um volume sobre-humano de informações. E, consequentemente, essa realidade reflete no dia a dia dessas gerações.

É interessante fazer um paralelo entre o momento social no qual vivemos e a forma como os influenciadores digitais, youtubers e criadores de conteúdo têm lidado com o burnout, com haters, com a linha tênue entre privacidade e exposição nas redes sociais, e outros assuntos relacionados à saúde mental das gerações mais jovens. Alguns desses comportamentos são reflexos diretos do momento atual e encontrar formas de lidar com esses impactos de maneira saudável são os principais desafios para a próxima década.

Qual a diferença entre afiliado e influenciador e como usá-los em sua estratégia de Marketing – (Agata Amadeo e Isabela Ventura)

A palestra da Isa Ventura, nossa CEO, junto com Agata Amadeo, Coordenadora de Afiliados na Lomadee, teve um foco bem prático em diferenciar o papel do influenciador e do afiliado na estratégia de marketing. Quando a marca opta por trabalhar com facilitadores, como os criadores de conteúdo e os afiliados, é preciso entender quais os resultados que eles entregam e qual o objetivo que eles podem ajudar a alcançar, para, aí sim, compreender o momento de ativação de cada um desses agentes.

Falando em funil de conversão, segundo as palestrantes, faz muito mais sentido ativar um influenciador para se comunicar com o público que está no início do funil. Assim, o creator conseguirá passar a mensagem da marca e seus atributos de maneira muito mais autêntica. Enquanto que afiliados são super efetivos quando focados mais no final do funil, pensando em uma conversão mais rápida, mas sem deixar de proporcionar uma boa experiência de consumo.

Ambos são importantes para uma estratégia de marketing; e quanto mais o trabalho for colaborativo, integrado e coerente, maior o potencial em atingir o resultado esperado. Afiliados trabalham com grande foco em performance, ajudando a divulgar as informações por meio de conteúdos voltados a instigar a conversão.

Os influenciadores, por sua vez, acabam tendo um viés mais humano quando o assunto é criação de conteúdo. Eles têm uma responsabilidade mais voltada para a mensagem da marca, especialmente quando o resultado da ação busca gerar awareness e fortalecer o branding. Nesse sentido, a performance deles é medida de uma forma diferente da de afiliados. E ambas as duas maneiras – tanto a contribuição do afiliado quanto do influenciador – são fundamentais para que a comunicação seja assertiva e realmente efetiva.

Ao final, as palestrantes ressaltaram que o importante é: o quanto você está investindo em mídia no topo do funil para garantir que aquela venda se converta?

A transformação digital no Brasil por elas – (Daniela Labella, Julia Rudge, Nubia Mota e Simone Sancho)

O painel composto por quatro mulheres em posições de liderança em empresas que atuam no segmento digital estimulou a troca de experiências. O momento foi para as palestrantes contarem um pouco sobre seus desafios na indústria – não apenas os práticos, mas também os relacionados à equidade de gênero.

Alguns pontos interessantes abordados pelo encontro levaram em consideração a jornada do consumidor, que na atualidade passa a ter a fase de decisão de compra cada vez mais pautada no ambiente on-line (se é que ainda existe diferença em on e off, não é mesmo?).

Simone Sancho, executiva de Marketing Digital e CRM Latam da Sephora, destacou que apesar da compra ainda ser física, a escolha e decisão é quase sempre feita no on-line, com o consumidor assistindo a um vídeo, vendo um banner ou o produto sendo exposto em uma foto na rede dele, por exemplo. Dessa maneira, precisamos também fornecer experiência no on-line e esse tem sido um desafio que a Sephora tem se proposto a entender.

Um bom exemplo foi também explicar como os times dentro da organização passaram de Digital para Customer Success e User Experience (UX), buscando englobar toda a experiência de marca, sem distinção entre canais e compreendendo a jornada como um todo. Afinal, tudo isso contribui para a consolidação do branding e faz parte da percepção do consumidor.

Já com foco na abordagem da função social da organização, Julia Rudge, Business Development na Uber, falou sobre o impacto da tecnologia nas questões de mobilidade urbana e a forma como isso contribui com a acessibilidade na cidade. Ela explicou que o crescimento (e até mesmo a revolução) que a Uber proporcionou fez com que processos internos também tivessem de ser remodelados, entendendo como os métodos ágeis (como o Scrum, Sprint, etc) são fundamentais para Startups e empresas de tecnologia.

A palestrante falou também sobre a questão da colaboratividade entre times, destacando a importância de trazer a diversidade não apenas de pessoas, mas de funções, ideias e áreas para dentro do negócio, buscando soluções para seus maiores desafios. É aquela velha história de que várias cabeças pensando juntas são muito mais efetivas do que apenas uma só.

“É na diversidade da colaboração que nasce a disrupção”, destaca Julia Rudge.

E, por fim, Núbia Mota, Diretora de Vendas Omnichannel e sócia da VTEX, contou um pouco sobre os desafios de gênero que encara no dia a dia, especialmente por ocupar um papel em que os holofotes são majoritariamente voltados para homens. Dividindo o board com outros 10 homens, ela explicou como encontrou soluções para se impor e reverter situações desconfortáveis de maneira sutil e educativa.

Marketing de Influência: quando a lucratividade cruza o limite da responsabilidade na comunicação? – (Leandro Gléria e Edson Castro)

Falando mais sobre influência (que, aliás, foi um dos assuntos mais abordados durante o evento) o painel com foco em entender os limites do que é coerente ou não nos discursos de influenciadores digitais levantou algumas polêmicas e pontos fundamentais para o trabalho entre marcas e criadores de conteúdo – alguns dos quais a Squid também acredita e reforça com frequência em nossa atuação.

Falando no processo de identificação e seleção de criadores de conteúdo, Edson Castro, do Manual do Homem Moderno, destacou o quão fundamental é entender o trabalho do influenciador como um todo, a forma como ele se comunica e quais são os valores e mensagem daquele profissional. Ele apontou que acredita que muitas marcas não fazem a “lição de casa” no sentido de que não compreendem questões básicas que impactam diretamente no momento do fechamento de um trabalho.

Esse “match” de perfis é tão relevante justamente porque o influenciador empresta sua credibilidade para a marca e, a partir do momento em que ela não atua da forma que se espera, o influenciador se sente no dever de não trabalhar com ela. Vimos casos recentes, como Pabllo Vittar que terminou sua parceria com uma marca que declarou apoio à um político com ideologias contrárias aos seus valores como representante da comunidade LGBTQIA+. E também casos inversos, em que o influenciador não teve um comportamento alinhado aos ideais da marca, como foi o caso Cocielo.

Entrando um pouco na questão de responsabilidade, é interessante entender que o criador de conteúdo é influenciador e, portanto, impacta muito na opinião pública. Esse é um dos maiores benefícios para a marca que busca realizar um trabalho de marketing de influência. Mas, pelo fato desse impacto ser amplo, há também muita responsabilidade sobre o que se é dito, especialmente por parte do criador de conteúdo. As marcas precisam compreender que estão contratando uma pessoa, com opiniões, comportamentos e capital social, e não apenas “mídia”.

Esse é um exemplo do quanto ainda precisamos amadurecer o mercado de marketing de influência. Muitas marcas ainda não compreendem a importância de entender a atuação do influenciador de maneira ampla e muito mais profunda. Algumas vezes, olhando apenas para um resultado quando, na verdade, o criador de conteúdo contribui para diversas esferas da comunicação e da publicidade.

Do ponto de vista da Squid como uma empresa de tecnologia com propriedade para falar sobre o trabalho com influenciadores, estimulamos que cada vez mais nossas campanhas sejam assertivas, trabalhando com um olhar estratégico para o papel do influenciador e da marca na ação. Reforçamos, por exemplo, que para cada objetivo de campanha um tipo de estratégia deve ser adotada.

Se a pretensão da marca é gerar awareness, consolidar imagem, trazer solidez para o branding, um plano tático específico deve ser implementado. Já quando a marca busca performance em vendas, um outro indicador será avaliado. E, por aí vai. Sempre entendendo até que ponto a responsabilidade é do influenciador e até que ponto é da marca como cliente. E, claro, entendendo que ambas as partes têm responsabilidade nas entregas.

Questões como essas precisam ser debatidas, buscando a educação do mercado e a compreensão do ecossistema do marketing de conteúdo e influência. Assim, conseguiremos despertar uma atuação com olhar colaborativo e profundo para o segmento.