YoupixCon 2018: confira o que rolou no evento

YoupixCon 2018: confira o que rolou no evento

640 480 Squid - Plataforma de marketing de influência

Na última segunda-feira estivemos pela segunda vez consecutiva no Youpix Con, um dos maiores eventos do Brasil sobre o universo dos creators. Além de marcarmos presença com o nosso estande (que, modéstia à parte, ficou lindão), dessa vez participamos também como palestrantes! A Isa Ventura, nossa CEO, mediou o painel: “Influenciador: como lidar?”.

Além dos 4 palcos habituais do evento – Keynote Stage, How To Stage, Creator Talks e ViU HUB, este ano a estrutura também contava com a Business Track: uma trilha dividida em 2 salas voltadas à educação e a oportunidades de negócios, com Workshops, Mentoria Coletiva e Speed Dating com marcas.

Proporcionando uma ótima integração entre creators e marcas, estimulando reflexões fundamentais para o segmento de influência e trazendo novos conceitos sobre como se fazer conteúdo de alta qualidade, o Youpix Con terminou despertando vários insights. E, pensando em levar esse debate para frente e dar continuidade para essas conversas tão importantes, contamos sobre alguns dos painéis que acompanhamos por lá! Olha só:

Influenciador: como lidar? (Isa Ventura, Eduardo Zanelato, Mayumi Sato e Rodrigo Soriano)

O painel mediado pela Isa Ventura, nossa CEO e cofundadora da TEAR, levantou reflexões com outros três profissionais-chave na indústria da influência: Eduardo Zanelato, diretor de novos negócios e cultura da Mutato; Mayumi Sato, diretora de marketing do Sexlog; e Rodrigo Soriano, CEO da Airfluencers.

A conversa correu mencionando pontos relevantes sobre os principais desafios na produção de conteúdo, como a escassez de formatos criativos e diferenciados; o volume de perfis que falam sobre os mesmos assuntos com perspectivas extremamente parecidas e sobre como creators e influenciadores digitais precisam cada vez mais buscar novos modelos de negócios, plataformas e canais – já que os tradicionais estão em cheque neste momento.

O painel reforçou também a importância da profissionalização do criador de conteúdo, que deve junto à marca entender quais os objetivos e seu papel na estratégia da campanha para que, dessa maneira, os resultados esperados sejam alcançados pelas partes envolvidas.

Falando sobre resultados e trazendo para o cenário da indústria do sexo, a qual a Sexlog está inserida, Mayumi Sato ressaltou o quanto ainda encontram resistência em trabalhar com influenciadores no segmento – especialmente pelo juízo de valor adotado pelo mercado e pela resistência do próprio público que afeta na maneira como performance e resultados são registrados e medidos. Ela comentou o quanto incomodar e questionar o que é socialmente considerado como “moral e bons costumes” pode ser delicado.

Finalizando a mesa, a Isa estimulou os participantes a falarem um pouco sobre o futuro do marketing de influência. Nesse sentido, o poder da vulnerabilidade humana foi verdadeiro consenso: podem surgir tecnologias que facilitem as rotinas e a forma como as coisas são feitas, mas o lado humano permanecerá tendo valor incalculável.

Cocielo, crise e influência: o que fazer quando tudo dá errado? (Pedro Tourinho)

Pedro Tourinho é sócio-fundador da Soko, agência de PR e earned media, e da MAP Brasil, um dos principais escritórios de agenciamento artístico do País. Seu painel abordou as estratégias e táticas que devem ser adotadas quando uma marca – seja ela de influenciador digital ou varejo – se depara com uma crise de imagem.

Com foco mais prático, Tourinho ressaltou processos fundamentais para resolução de crises como:

  • Assim que for identificada, deve-se congelar a comunicação dos canais envolvidos;
  • Não publicar, não curtir, não interagir enquanto uma resposta não for elaborada;
  • Ele explicou a importância de parar por um momento, compreender o cenário e a situação completa para então alinhar um plano de crise e fazer declarações estratégicas que evitem novos problemas;
  • E, claro, tudo isso com agilidade, afinal, quanto mais tempo a crise rolar, maiores podem ser as consequências;
  • Não mentir parece uma sugestão óbvia, porém muito importante. O posicionamento da marca deve sempre estar de acordo com princípios e busca pela transparência;
  • Uma outra dica é aproveitar para investir em relacionamento com o público já fidelizado da marca, já que haters existirão sempre. Dessa maneira, é possível se utilizar da própria audiência, fazendo com que ela trabalhe a favor da marca;
  • Expor a mudança de atitude e explicar os próximos passos é também fundamental para evitar que outros questionamentos por parte da audiência surjam.

Do ponto de vista dos creators, se falou muito da cobrança para que celebridades (nativas do digital ou não) se posicionem diante de polêmicas, mas Tourinho ressaltou a importância do trabalho que existe anterior a isso: a responsabilidade ao se criar um conteúdo que atinge tantas pessoas. Qual a sua verdade? Crie seu conteúdo sempre alinhado a ela.

Do pornô ao empoderamento sexual na web (Carol Albuquerque, May Medeiros, Lud Lower, Mariana Stock e Camila Cornelsen)

Por ser um evento criado por diversas mulheres reconhecidas e com forte senso de comunidade, o Youpix Con se dispôs a trazer temas muitas vezes não considerados nas programações de outros eventos de marketing digital e conteúdo. Falar sobre assuntos que precisam ser falados e que nem sempre têm espaço, perceptivelmente, foi um dos objetivos buscados pela organização do evento, sem preocupações em “botar na roda”. Afinal, é preciso dar voz às mulheres. Dessa maneira, o painel “Do pornô ao empoderamento sexual na web” trouxe 5 mulheres da indústria para falar sobre os principais desafios que encontram em suas jornadas no mercado.

O painel apresentado pelo Hysteria, hub de criação comandado por mulheres dentro da Conspiração, comentou sobre censura e empoderamento. O papo contou com Carol Albuquerque, diretora criativa do Hysteria; May Medeiros, diretora de filmes adultos na Link 18+ – luzvermelha.tv e organizadora do PopPorn Festival; Lud Lower, fotógrafa e criadora do My Boy Toys, primeiro projeto de fotografia sensual e nu masculino voltada ao público feminino; Mariana Stock, fundadora da Prazerela, plataforma que apoia mulheres a se empoderarem pelo caminho do prazer; e Camila Cornelsen, artista multimídia que trabalha com fotografia, cinema, música e arte no XReal e Sala Solar.

As participantes, em um debate sobre censura e sexismo, falaram o quanto as pessoas nas redes sociais ainda não conseguem lidar com o nu feminino – algo que é extremamente sexualizado e, portanto, censurado na rede. Muitas vezes, os conteúdos são banidos por denúncias de nudismo mesmo quando o nu é claramente artístico. Tais situações acabam impactando negativamente os perfis denunciados, que têm uma construção constante de marca e conteúdo e acabam por perder engajamento nas redes por conta de medidas desnecessárias, por vezes motivadas por haters. E você, considera o corpo e a sexualidade da mulher um tabu?

Muito do que acontece nesse contexto, a mesa ressaltou, se deve à cultura patriarcal na qual vivemos, em que as próprias redes sociais – por serem controladas por pessoas – reproduzem padrões comportamentais. Porém, questiona-se o papel das redes nesse cenário, afinal, a contribuição dessas plataformas poderia ser bastante positiva na naturalização do corpo e das nossas relações com ele. O insight que fica é refletir sobre qual o limite do que é permitido ou não na rede, entendendo a importância da liberdade de expressão e de perfis que falam sobre assuntos ainda pouco falados.

Creators Talks: Maíra Medeiros, do Nunca Te Pedi Nada

O Creator Talks é um espaço mais descontraído do Youpix Con, dedicado para que criadores de conteúdo contem sobre suas jornadas no universo de influência digital. Oportunidade legal para quem sempre teve curiosidade em saber tudo sobre os nossos creators preferidos! A Maíra Medeiros foi uma das influenciadoras chamadas para essa edição e contou um pouco sobre a trajetória dela, que diferente da maioria das pessoas que trabalham na área, começou bem mais tarde, quando ela já estava com mais ou menos 30 anos.

Esse fato é importante porque sua faixa etária influencia diretamente no público que consome seus conteúdos. Ela contou que a primeira vez que sentiu que impactava pessoas foi quando uma seguidora explicou que tinha uma profissão, mas não sabia se era exatamente aquilo que ela queria fazer da vida. Mas, vendo os vídeos da Maíra, tinha plena convicção de que poderia ser qualquer coisa depois dos 30, porque entendia o poder que vinha junto com a maturidade.

Entender o quanto esse impacto afeta a vida de seus seguidores foi um momento muito importante para Maíra e, provavelmente, para muitos influenciadores digitais. Afinal, a responsabilidade sobre seus discursos é intrínseca ao poder da influência. E você, que é criador de conteúdo, quando foi que sentiu que o seu trabalho realmente influenciava pessoas e comportamentos?

O Ciclo Social: por que pensar a essência é pensar o futuro do negócio (Nay Ruiz e Marcelo Salgado)

A apresentação foi comandada por Nay Ruiz, gerente de digital, e Marcelo Salgado, gerente de comunicação, ambos do Bradesco. Eles contaram a trajetória deles na busca por transformar a comunicação de um banco (uma instituição tão tradicional) dentro da era digital. E, para isso, eles explicaram como se estabeleceu o que chamam de ciclo social, e o porquê esse é um fator chave para o sucesso.

Anteriormente, quando o Bradesco começou a trabalhar com foco em conteúdo para redes sociais, eles funcionavam no digital meramente como um sac 2.0. Era chegada a hora de evoluir e, para iniciar essa transformação digital, eles tinham que primeiro ouvir atentamente. Ouvir o que seus clientes tinham a dizer, o que os consumidores gostavam e se interessavam. E, a partir daí, criar um ciclo virtuoso de troca ativa.

Desse exercício de zoom out, eles saíram uma estratégia do zero e estabeleceram a matriz que, hoje, rege toda a área: relacionamento + conteúdo + cocriação + dados e análises.

A ideia dessa fórmula é, primeiro, criar redes de conversas e estabelecer conexões fortes com as pessoas, porque é isso que vai gerar negócios. Nessa dinâmica de redes, é possível entender o que as pessoas estão falando e participar da conversa – e isso, em última instância, gera confiança, que é o elemento que rege toda a comunicação do banco. A confiança dá autonomia, gera autoridade e influência. E essa troca entre eles e o público permite também a cocriação.

A metáfora que eles usaram para descrever esse relacionamento 2.0 foi a da diferença entre o grafite e diamante: ambos são compostos pelo mesmo elemento, o carbono, mas no primeiro elas se conectam de forma separada, enquanto que no segundo, elas se ligam de tal maneira que resulta em algo incrível, como o diamante.

→ Uma comunicação humana é o que o Bradesco buscou quando quis usar o marketing de influência a seu favor. O resultado você pode conferir aqui

Vida fragmentada em Stories (Caio Braz, Maju Trindade, Rosana Hermann e Tainá Saramago)

Em junho deste ano, o Facebook anunciou o número de usuários ativos da sua ferramenta de Stories: 400 milhões. O montante impressiona, mas o que realmente mantém esse recurso algo tão amplamente utilizado? De acordo com o jornalista e apresentador da GNT Caio Braz, a modelo Maju Trindade, a roteirista e escritora Rosana Hermann, e a coordenadora de Audience Development ViU HUB Tainá Saramago, há alguns pontos que tornam a ferramenta interessante.

Um dos mais importantes é o real time. Rosana explicou que não é de hoje que os reality shows fazem sucesso e, basicamente, o Stories é como se fosse um programa desse estilo, mas com o formato digital. Maju complementou esse pensamento afirmando que, até hoje, o Stories que ela fez que registrou maior sucesso foi quando ela apareceu chorando por conta de um filme que tinha visto. O fato de a ferramenta permitir essa proximidade, de compartilhar a vida das pessoas sem filtros é o que mais atrai o público – não é como no YouTube, por exemplo, que necessita de tempo para estabelecer uma conexão e criar uma comunidade.

Braz, por sua vez, aproveitou o lançamento do IGTV para ter o seu programa de entrevistas via Live do Instagram. Chamado de Xou das Nove, todas as noites ele recebe convidados especiais, provando que o ao vivo, sem edições, dá muito certo na Internet.

Apesar da autenticidade que o real time proporciona, Rosana também salienta que é preciso entender que o Stories, ao mesmo tempo que permite mostrar a vida sem filtros, é apenas um fragmento do que ela é de verdade. As pessoas, por mais autênticas que sejam ali, ainda estão mostrando apenas o que querem que os outros vejam. E aí deixamos o questionamento: o quanto deixamos que as redes sociais pautem nossas decisões?

Até onde você vai por audiência? (Guilherme Melles, Fabiana Gabriel e Lucas Melo)

Criar conteúdo para o digital e influenciar pessoas também leva o peso da responsabilidade dos temas compartilhados com o mundo – especialmente se o canal em questão é um meio que surgiu com um propósito claro e é usado como ferramenta para quebrar paradigmas e se posicionar abertamente sobre questões sociais.

Mas quando os canais de conteúdo são usados como uma ferramenta para gerar crítica social, até onde ir para gerar audiência? E quando o objetivo é entretenimento, mas se quer inserir pautas sensíveis, como fazer isso da melhor forma? Esses foram alguns dos assuntos abordados pelos palestrantes Guilherme Melles, community manager do Quebrando o Tabu; Fabiana Gabriel, gerente digital do GNT; e Mohamad Hindi, creator e apresentador do GNT.

A dica é: testar conteúdos, a fim de entender as reações que o público pode ter. E entender também o seu posicionamento e a mensagem que você quer passar: há pessoas ofendidas com o que você publicou? Então, vale rever o conteúdo. E sempre medir a sua responsabilidade sobre a influência, afinal, estamos falando sobre pessoas.

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